sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Da crise à euforia (ler mais)

Por António M. Sobrinho
Primeiro veio a crise. O mundo que conhecíamos parecia não ter mais solução, tal era a catástrofe. Tudo o que parecia estar perfeitamente assegurado e garantido foi posto em dúvida. Apressaram-se logo os governantes de todo o mundo a encontrar soluções para tamanha crise. Muito encontraram nela também uma forma de explicar o insucesso de algumas políticas. Muitos outros apressaram-se de forma discreta a dar um pequeno passo à esquerda, e trataram logo de afirmar que sempre tiveram as maiores reservas quanto ao, agora maldito, neo-liberalismo. Antes de rebentar a bolha especulativa dos fundos americanos do imobiliário, alguém se lembra dos nossos governantes alertarem para a necessidade de maior e principalmente melhor regulação deste tipo de mercados? Alguém se lembra do governo defender uma maior intervenção do estado, por via da regulação, em algum sector da economia? Fica a pergunta. Lembramo-nos sim da tentativa de um maior controlo da comunicação social e dos jornalistas, por via da regulação da carreira profissional e de telefonemas aos chefes de redacção. Lembramo-nos sim de uma total falta de respeito pela entidade reguladora do sector eléctrico (ERSE). Que medidas tomaram os defensores da regulação para impedir que bancos como o BCP e o BPN pudessem agir de forma ilegal no mercado de capitais impunemente.
A crise inundou todo o mundo. Os media não encontrariam melhor tema para dedicarem as suas atenções. Mas não nos devemos esquecer que as massas necessitam sempre que de quem as anime, pois estar demasiado tempo a viver com um sentimento de crise internacional não faz bem a ninguém. Toda esta crise teria que ser ultrapassada e depressa. A solução só se poderia chamar Obama. Exactamente no país onde se despoletou a crise, nasce o seu antídoto. Agora é a euforia a total. Tudo vai ser diferente e os erros do passado jamais serão cometidos (pelos menos pelos mesmos). As relações externas dos EUA vão melhorar, a situação do Iraque vai ter uma solução, no Afeganistão vão ser capturados todos os inimigos, a economia vai voltar a crescer, o défice vai diminuir, enfim, tudo vai ter uma solução agora que Obama foi eleito o novo presidente da, ainda, maior potência mundial. A partir de agora só uma coisa poderá piorar a cada dia que passe, o sentimento de desilusão de todos os que depositaram elevadas expectativas nos EUA como sendo a solução para os problemas do mundo e a euforia internacional criada à volta de Obama poderá vir também a revelar-se uma grande bolha especulativa.

1 comentário:

Anónimo disse...

Pirronismo exagerado, quanto mim.

Não acreditar que as coisas podem mudar, também para melhor, é de um fatalismo confrangedor, felizmente assente em pés de barro, pois a história encarrega-se de demonstrar o contrário.

Há imensas razões para justificar a euforia positiva que se sente. Ter um presidente que defende valores como os de Obama fundamenta toda emoção em redor da sua vitória. Alguém que defende valores como o multilateralismo, a segurança social, o acesso ao sistema de saúde, o encerramento do aborto que é Guantanamo, é por si suficiente.

Sim, melhores dias vêm aí. Sem dúvida