sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O Orçamento e Fátima Felgueiras (ler mais)

Por André Dinis
Como o "Cidadão Angrense" pretende ser um espaço de divulgação e comentário sobre o país que temos, sobre as coisas que mais nos preocupam e que deveriam também preocupar a generalidade dos cidadãos, e está aberto a todos, decidimos enviar algumas breves reflexões sobre o que hoje se assiste em Portugal. Hoje o país está dividido entre a aprovação do OE para 2009 e o julgamento de Fátima Felgueiras. No primeiro a discussão e o debate não parece revestir qualquer interesse (pois grande parte dos deputados do CDS-PP e do PSD só irão comparecer para a votação na generalidade), uma vez que já se conhece o desfecho que a maioria vai dar a tal documento. No segundo os mais crentes ainda têm a esperança que a senhora vá finalmente para a prisão. Desenganem-se. O nosso sistema judicial está muito bem montado e quem o arquitectou deixou as seguranças necessárias para acautelar que quem se apropriou de dinheiros públicos para fins pessoais, que quem foge para o Brasil para não ser detida, mas que conhece há muito tempo a lógica do financiamento partidário e pode envolver directamente altos responsáveis de algum dos dois maiores partidos políticos, nunca será detido em Portugal. Seria um desastre para todo o sistema. Com o tempo na prisão a senhora acabaria por perceber que não poderia ser a única a ser detida e que todas as outras situações que conhece deveriam ter igual tratamento. Por isso, as pessoas que se espantaram com o facto da senhora enquanto esteve no Brasil ter continuado a receber o seu vencimento de autarca, que agora seja a autarquia a suportar os encargos da sua defesa judicial, não se espantem por nada acontecer e tudo continuar na mesma. É essa a imagem que vai ficar para o futuro dos nossos políticos e do sistema judicial que eles próprios montaram para que nunca tenham que sofrer percalços como o que ia acontecendo com o caso Casa Pia. Lá se foi, à pressa, alterar o Código do Processo Penal para que escutas nunca mais. Não vá o diabo tecê-las.

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