quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O país que espere (ver mais)

Por Avelino Dias
Os portugueses têm assistido a tantas situações caricatas nos últimos dias que deixaram de achar estranho ou se preocupar com o que vai acontecendo neste país.
Na Madeira, o presidente do Governo Regional vai prejudicar alguns professores, dando a classificação de “Bom” a todos, incluindo àqueles que, pelo método de avaliação do Governo da República, seriam eventualmente classificados com “Excelente”. Aguarda-se a reacção dos sindicatos.
Sobre a nacionalização do BPN lá foi o senhor governador do Banco de Portugal à Assembleia da República, todo incomodado, abanando com a cabeça, revirando os olhos, responder às questões dos senhores deputados da oposição. Àquela hora o senhor costumada já estar deitado. Que maçada. Já toda a gente percebeu que o senhor não foi diligente, competente, atento, cuidadoso e tudo o mais que deveria ter sido, numa situação como esta. Resta questionar os senhores deputados, que agora sabem de todos os pormenores das auditorias externas efectuadas, sabem de todos os problemas detectados, que avisos fizeram, que declarações prestaram ou que alertas endereçaram para que toda esta situação não ocorresse. Se era assim tão evidente o problema, como nunca ninguém o trouxe para o debate político. Só agora? Apetece dizer, assim também eu.
Ainda sobre este assunto, assistimos a líder do PSD afirmar que o partido já se manifestou sobre a referida nacionalização. Mais uma vez não quis aproveitar a oportunidade para manifestar a sua posição directamente e já começou a denotar uma ligeira crítica e mal-estar relativamente à comunicação social, por não estar a colaborar em divulgar as posições do seu partido. Essa crítica à comunicação social vai adensar-se nos próximos tempos. Esperem para ver.
Questionada pelos jornalistas, respondeu que ainda não tem, mas mesmo que tivesse ideias, estratégias e políticas alternativas, não as apresentaria, porque o Governo iria logo copiá-las. Também achamos estranho que na sua visão os partidos possam ter as ideias, estratégias e políticas mais adequadas para o país, mas que por uma lógica eleitoral não os queiram apresentar desde já, sob pena do Governo as ir copiar. Mas que visão tão ultrapassada. Senhora, os partidos não existem para guardar na manga as soluções para o país, mas sim para as apresentar e discutir em democracia. Ainda não percebeu que no tempo actual não é possível esse tipo de jogo. Ou as suas ideias são mesmo boas e todo o país deveria beneficiar delas, ou então… faça-nos um favor, se não tem nada de novo para apresentar ao país, não perca a próxima oportunidade de ficar calada.

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