segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Velhos tiques de socialismo velho (ler mais)

Por António Sobrinho
Todos nos lembramos do esforço de Guterres e Pina Moura em salvar
as velhinhas fábricas do Vale-do-Ave. Inventaram-se os planos
Mateus e outros para que quem devia à segurança social pudesse
ainda ter mais algumas hipóteses de se aguentar no mercado. Pura
ilusão.
Passados alguns anos fecharam as portas. Quem soube
modernizar os processos de fabrico e inovar nos produtos e serviços
comercializados conseguiu segurar-se no mercado, todos os outros
ajudaram a engrossar os números do desemprego. O erro de
Guterres foi querer manter a todo o custo o emprego e apenas o
emprego, sem outras preocupações de eficiência e eficácia (agora tão
na moda). Subsídios e mais subsídios para que a taxa de desemprego
não subisse. De nada adiantou. Pouco tempo depois os subsídios
acabam e o mercado volta a impor as suas regras.
Por cá o novo Governo de César parece que não soube tirar qualquer
lição do passado recente e já decidiu comprar a fábrica de atum
“Santa Catarina” em S. Jorge. Parece que o Sr. Leovegildo já não
consegue mais pagar às dezenas de funcionárias que lá trabalham e
para estas não irem engrossar os números do desemprego e as
manchetes dos jornais, então vai-se lá comprar a fabriqueta. Refira-se
que esta fábrica foi criada pelo Município da Calheta de S. Jorge
com o grande objectivo de criar emprego na naquela Ilha. Mais tarde
quando se percebeu que a fábrica poderia ir buscar alguns dinheiros
dos fundos comunitários e quando a autarquia deixou de se poder
endividar da forma galopante que vinha a fazer até então, começouse
a pensar que seria bom vender a fábrica. Mas quem poderia gerir
um negócio com aquela complexidade e exigência, afinas de contas
os seus criadores sabiam perfeitamente que sem os apoios públicos a
empresa não teria quaisquer hipóteses de sobreviver. Alguns
contactos com o Governo, eleições à porta, compromissos de
obtenção de fundos do comunitários e já está encontrada a solução.
Quem criou a empresa sai da Câmara Municipal e passa a proprietário
da fábrica a troco de alguns euros, afinal de contas a fábrica estava à
beira da falência. Nova dinâmica, nova imagem, novo projecto e
novos estudos de viabilidade económica a apresentar ao Governo
para justificar os novos apoios a receber em troca de segurar o
emprego de dezenas de trabalhadoras. A história repete-se com o
mesmo desfecho. O tempo vai passando, as trabalhadoras
necessitam de receber todos os meses e os subsídios não são
infinitos e não podem ser atribuídos duas vezes para a mesma
entidade desenvolver o mesmo projecto. Como é evidente, neste tipo
de gestão, quando o dinheiro acaba não há nada a fazer a não ser ir
pedir mais a quem? Ao Governo é claro. Só que agora temos que
iniciar um novo ciclo e a fábrica agora passa de novo a ser pública
(propriedade do Governo Regional, através da Lotaçor, SA). Como é
evidente se a empresa não tem viabilidade económica nas mãos de
privados não vai passar a ter apenas porque passou a ser
propriedade do Governo Regional. Por muitas voltas que a gestão
possa dar e por mais dinheiro que se possa injectar, vai chegar um
dia em que não é mais possível continuar com essa situação e
alguém irá tomar a decisão de vender a empresa a privados. Como
todos os empresários sabem que devido a vários factores
(localização, acessibilidades e redução crescente das capturas de
atum na região, entre outros) a fábrica dificilmente terá viabilidade
económica, fácil é de prever que o preço de venda será muito
reduzido e terá que ser acompanhado de nova promessa de apoios
públicos (comunitários, se ainda existirem ou outros). Curiosamente,
ninguém se admire se o Sr. Leovegildo ainda continuar por aí e daqui
a alguns anos seja de novo proprietário da fábrica que agra está a
vender. O resto já sabem…, pois é volta tudo ao início.

Nota do autor.
Enviámos no passado dia 9 de Dezembro este texto ao senhor Armando Mendes do Diário Insular, pois anteriormente já nos tinha assegurado que não deixaria de publicar artigos de opinião que lhe enviássemos. No entanto, parece que os tais critérios editoriais que tanto fala, ficam esquecidos quando se trata de alguns assuntos mais delicados para uma certa autarquia jorgense. A mesma que paga a este senhor jornalista mensalmente cerca de 2000 euros por prestar serviços culturais que o Tribunal de Contas já considerou não terem sido devidamente contratados, por falta de consulta a outros prestadores do mesmo tipo de serviço. Afinal parece que sempre convêm ter algumas amizades nas direções editoriais de alguns meios de comunicação social e que também dá muito jeito (e alguns trocos) ter amizades em certas Câmaras Municipais. São critérios. Editoriais? Julgamos que não.

2 comentários:

António Sobrinho disse...

Nota do autor.
Enviámos no passado dia 9 de Dezembro este texto ao senhor Armando Mendes do Diário Insular, pois anteriormente já nos tinha assegurado que não deixaria de publicar artigos de opinião que lhe enviássemos. No entanto, parece que os tais critérios editoriais que tanto fala, ficam esquecidos quando se trata de alguns assuntos mais delicados para uma certa autarquia jorgense. A mesma que paga a este senhor jornalista mensalmente cerca de 2000 euros por prestar serviços culturais que o Tribunal de Contas já considerou não terem sido devidamente contratados, por falta de consulta a outros prestadores do mesmo tipo de serviço. Afinal parece que sempre convêm ter algumas amizades nas direções editoriais de alguns meios de comunicação social e que também dá muito jeito (e alguns trocos) ter amizades em certas Câmaras Municipais. São critérios. Editoriais? Julgamos que não.

Anónimo disse...

Dizer que a fábrica de conservas Santa Catarina é uma fabriqueta, apenas revela desconhecimento, ou da fábrica em si, ou do significado da palavra "fabriqueta", no 1º caso uma ida ao local demonstraria que é uma unidade fabril moderna e grande, no 2º caso, recomendo que adquira um dicionário...