quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Vacas expostas em Lisboa e fórum taurino na Terceira geram polémica (ler mais)

Por Pedro Nunes Lagarto
A exposição de vacas na Praça de Espanha, em Lisboa, no âmbito de uma campanha publicitária do turismo dos Açores, a par da realização do "Fórum Mundial de Cultura Taurina", Terceira, causaram protestos por parte de associações de defesa dos animais.
Quer a Liga Portuguesa dos Direitos do Animal quer a ANIMAL condenam a utilização de animais em publicidade e repudiam o facto dos mesmos estarem expostos ao barulho, à poluição e ao mau tempo que se faz sentir na capital.
A ANIMAL garante que recebeu vários telefonemas e mensagens de e-mail de lisboetas "indignados com a insólita e profundamente infeliz manobra publicitária" concebida pela agência Brand Builders, a pedido da Associação Turismo dos Açores, com o objectivo de promover o turismo nos Açores no contexto da Bolsa de Turismo de Lisboa, certame que decorre até domingo.
A Liga Portuguesa dos Direitos do Animal considera que a licença "foi passada sem o mínimo respeito por seres vivos", que estarão a ser tratados "como objectos inanimados em exposição" e que esta situação estará em "total desrespeito pela legislação portuguesa e europeia".
A Liga Portuguesa dos Direitos do Animal refere ainda que alertou na passada segunda-feira a Direcção Regional de Veterinária do Ribatejo e Oeste e o Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente da GNR.
Já a ANIMAL está a promover uma campanha de protestos via e-mail dirigida ao Governo Regional , Secretaria Regional da Economia, Direcção Regional do Turismo, Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada, Associação de Turismo dos Açores e Bolsa de Turismo de Lisboa, no contexto da qual " as centenas de pessoas que estão a enviar as mensagens de protesto pedem que se termine de imediato a manobra publicitária, defendendo que dá uma má imagem dos Açores, repelindo actuais e potenciais turistas, que se chocarão com a lamentável decisão de usar estas vacas para promover o turismo na região".
A ANIMAL assegura que mensagens estão a seguir também para a Câmara Municipal de Lisboa e para a Direcção-Geral de Veterinária, sendo pedido que, no âmbito das suas competências legais, apreciem a licitude dos moldes em que estão a ser utilizados e mantidos estes animais.
Paulo Mesquita, responsável da agência Brand Builders, garante que a campanha cumpre "religiosamente" os requisitos legais exigidos pela Câmara de Lisboa e pelo veterinário que faz a monitorização dos
animais:
"Temos dois tratadores, um veterinário e dois polícias municipais em permanência com as vacas. Acho engraçado que as pessoas estejam preocupadas precisamente com as vacas mais bem tratadas do país", releva.
Paulo Mesquita diz que a campanha regista um "resultado estrondoso"
traduzindo a autenticidade de uma região ao levar a fauna e flora dos Açores para a cidade, observando que as pessoas afectas às associações de defesa do animal "se calhar são excessivamente urbanas e desconhecem o habitat das vacas nos Açores".
Mesquita explica que para além das vacas colocadas na Praça de Espanha há "baleias" no Saldanha, um green de golfe nos Restauradores, imagens de mergulho e de espécies subaquáticas no Marquês do Pombal e hortênsias na zona de Entrecampos.
Fórum taurino criticado
Também está a gerar contestação o anunciado "Fórum Mundial da Cultura Taurina", evento promovido pela indústria tauromáquica internacional que vai decorrer entre os dias 29 e 31 de Janeiro em Angra do Heroísmo.
"Sintomaticamente, este é anunciado pelos seus promotores como um fórum dedicado a encontrar estratégias para salvar a tauromaquia do risco de extinção que enfrenta, resultante da eficaz ofensiva ética, cívica e política que as organizações de defesa dos animais têm marcado em defesa da abolição da tauromaquia", refere a ANIMAL, que assegura ter apoio internacional de organizações da Holanda e Bélgica, Espanha e Inglaterra.
A ANIMAL condena o facto de estarem envolvidas neste "vergonhoso evento de defesa e promoção da tortura de animais sob a forma de espectáculo" figuras políticas e do Estado Português – mais do que apenas agentes do meio tauromáquico –, nomeadamente o ex-Presidente da República, Jorge Sampaio, o presidente do Governo Regional, Carlos César, o representante da República para os Açores, José António Mesquita, autarcas nacionais e ainda eurodeputados de Portugal, Espanha e França.
"Portugal, a Europa e o mundo devem apenas dar passos no sentido de abolir – e não de promover – as touradas, que não passam de espectáculos deploráveis de violência extrema contra animais", afirma Jennifer Berengueras, representante da Coligação "For a Bullfighting -Free Europe", citado ontem pela associação ANIMAL.

Sem comentários: