sexta-feira, 6 de março de 2009

Liderança, numa parte (ler mais)

Por Paulo Jorge Gomes
A propósito da segunda parte do post no :Ilhas, Pedro Mendoza levanta um problema interessante, embora com uma errónea perspectiva do problema. Eis porquê.
Ao contrário do que diz Mendonza, não é a falta de liderança que é a causa do catatónico enlevo das democracias actuais. Isso é antes a consequência de outra causa que assenta no discurso, mas sobretudo no meio de o transmitir, leia-se: na profusão mediática.
Explico melhor.
Refere, e bem, Mendonza, que líderes sempre houve. Como explicar então a actual fulanização? O fenónemo de massas não serve. Esses sempre os houve. O que não houve nos tais 40 ou 50 anos precedentes que Mendonza fala foi a mediatização actual, precisamente exarcebada pela Sociedade da Comunicação (e não da Informação). Daí ao discurso sofista vai um passo, tal como acontecia com os gregos há milénios atrás, com a devida dimensão, na oralidade, primeiro, com a escrita nas tabuínhas, depois, e por fim com a inovação tecnólogica que foi a produção dos papiros e a seguir os pregaminhos.
Nesses 40 ou 50 anos atrás predominou o discurso explanatório, informativo. Hoje predominam as «punch lines». Elvin T. Lim já o denunciou, de forma exemplar diga-se, no seu estudo Anti-Intellectual Presidency: The Decline of Presidential Rhetoric From George Washington to George W. Bush, Oxford University Press, 2008. Por exemplo, no discurso da Estado da Nação estado-unidense, o auditório teria de esperar uma média de 42 segundos para que Nixon puxasse do cliché; em 2000 a espera foi reduzida para 8 segundos. De grandes oradores (onde não se incluía Nixon, evidentemente), passou-se para grandes comunicadores. Os discursos hoje pouco ou quase nenhuma racionalidade argumentativa têm - basta ler muitos dos jornais, sobretudo açorianos, (nem falo da blogosfera) em que muito se escreve para nada dizer. A não ser sofisma atrás de sofisma.
Falo de racionalidade argumentativa, mas longe de qualquer sistema lógico puro, objectivo, enfim, mais ou menos cartesiano tal como postulam as ciências naturais adaptado ao discurso, como normalmente de propala num suposto discurso sério. Estou a pensar sobretudo na racionalidade de que falam Perelman, Meyer, Dupréel, Loreau, sem querer ir tão longe até Shopenhauer ou mesmo à Retórica de Aristóteles.
Quanto à falta de carisma pessoal, também mencionada como causa por Mendonza, volto a discordar. Trata-se novamente de uma visão «redutora», para citar o autor quanto à primeira parte do post, embora a despropósito (só o cito porque o termo "redutor" está na moda). O carisma está antes, e novamente, associado à (in)capacidade de comunicação/oração do líder. O leitor destas linhas reflicta um pouco e veja se não é assim (quantos putativos líderes, porventura excelentes, não o foram precisamente pela sua inépcia oratória?).
Os grandes líderes não são necessariamente bons líderes, tal como bons líderes nem sempre conseguem exortar massas. Não precisamos ir longe: lembremos do desajeitado Salazar - isto quanto à falta de carisma - na sua primeira década de governação - isto quanto à qualificação de «bom líder», para que não fiquem equívocos.Ao invés, maus líderes podem ser grandes líderes. Hitler foi, sem dúvida, o maior expoente neste capítulo.
A alteração do antes para o agora está, a meu ver, na circunstância do discurso do líder ser seu, efectivamente seu, ou pelo menos mais seu do que é hoje. Actualmente o discurso e a forma de o transmitir está manietado por uma miríade de assessores (imprensa, imagem...), pelo directo, enfim, por um conjunto de situações que incentivam a fulanização que Mendonza refere, a personalização, o show mediático, tudo dirigido ao sofisma. Hoje não vale tanto explicar (o que implica necessariamente compreender o que se diz) mas sim apresentar, qual actor de teatro.
O líder é hoje mais homem de palha do que era antes.
Esta é, quanto a mim, a razão para esquizofrenia das democracias actuais.

4 comentários:

mynameisfairplay.com disse...

Foi para isto o 25 de Abril?

Tráfico de influências nas Cidades de Angra & Praia.

Só visto ver e ler para crer, tudo em: http://mynameisfairplay.blogs.sapo.pt/

Diogo disse...

profusão mediática:

And now, for something completely different:

Barack Obama repudiou o cristianismo e está a converter-se ao Islão.

Jon Stewart, do Daily Show, explica-nos, com humor, como os Media nos EUA dão a entender que Barack Obama é um muçulmano encapotado.

VÍDEO legendado em português

Brasil Empreende disse...

Ola visitei seu blog e gostei muito e gostaria de convidar para acessar o meu também e conferir a postagem desta semana: Guerra Política acirra disputa entre Brasil e Argentina.
Sua visita será um grande prazer para nós.
Acesse: www.brasilempreende.blogspot.com
Atenciosamente,
Sebastião Santos.

PAULO SANTOS disse...

...bom acreditando nos comentários acima, e não tenho razões para não o fazer, este seu discurso/opinião sobre um artido de alguém que porventura tinha postado algo num outro sitio qualquer, não é mais do que isso, nada...! As explicações aqui dadas neste seu artigo são tão vazias, ou por outras palavras, tão cheias de nada que até irrita quem como eu sou um mero leitor com a 4ª classe.... se os "líderes" da nossa politica são o que são devem-no a pessoas como o Sr..... imagine só um politico tentar rebater este seu discurso com este tipo de escrita, levará 1 dia a fazê-lo e pior do que isso, dirá isso mesmo que você critica aqui, nada...
Cumptos